AH/SD vs autismo (diagnóstico diferencial)

Em linguagem simples

Crianças com altas habilidades e crianças autistas às vezes apresentam comportamentos parecidos: foco intenso em interesses específicos, dificuldade em interação com pares da mesma idade, vocabulário acima da média, sensibilidade sensorial. Por isso são confundidas. As diferenças importantes: a criança AH/SD tipicamente lê bem nuances sociais quando quer, troca interesses com flexibilidade e busca interação com pares de nível compatível; a criança autista tem dificuldade qualitativa em reciprocidade social independente do interesse e padrões mais rígidos. E os dois quadros podem coexistir — é a chamada dupla excepcionalidade.

Tecnicamente

Diferenciação clínica frequentemente difícil, com risco bilateral de erro: identificar criança autista como “só superdotada” (perdendo diagnóstico) e identificar criança AH/SD como autista (medicalizando perfil normativo dentro da AH/SD). Áreas onde a diferenciação é mais sutil: (a) foco em interesse — em AH/SD é trocável com motivação, em autismo tende a ser persistente independente de reforço social; (b) reciprocidade social — em AH/SD prejudicada por desencaixe de pares (corrigível em ambiente apropriado), em autismo apresenta déficit qualitativo independente de contexto; © flexibilidade cognitiva e comportamental — preservada em AH/SD, prejudicada em autismo; (d) processamento sensorial — sensibilidade alta em AH/SD via hiperexcitabilidades de Dabrowski, em autismo via padrão sensorial atípico mais pervasivo. Avaliação cruzada (bateria neuropsicológica + ADI-R + ADOS + protocolo de AH/SD) é padrão recomendado quando há suspeita. Dupla excepcionalidade (AH/SD + autismo) ocorre em parcela relevante de casos avaliados sob suspeita (Foley-Nicpon et al., 2011) — exige plano que enderece ambos.