MBT (Terapia Baseada em Mentalização)

Em linguagem simples

Abordagem psicoterapêutica pra TPB desenvolvida por Bateman e Fonagy (Inglaterra) em paralelo à DBT. O foco central é mentalização — a capacidade de entender o próprio comportamento e o do outro em termos de estados mentais (intenções, sentimentos, crenças). Em TPB, essa capacidade falha em momentos de ativação emocional. MBT trabalha pra fortalecê-la, especialmente no contexto de relações próximas. Tem evidência sólida — comparável a DBT em alguns desfechos. No Brasil ainda é menos disponível.

Tecnicamente

Mentalization-Based Treatment (MBT, Bateman & Fonagy, 2004) — abordagem psicodinâmica modificada pra TPB com fundamentação em teoria da mentalização e apego. Conceito central: pacientes com TPB apresentam déficit de mentalização especialmente sob ativação emocional/interpessoal, com tendência a modos pré-mentalísticos (equivalência psíquica — sentir é igual a fato; modo teleológico — entender só a partir de ato físico; modo faz-de-conta — desconexão entre realidade interna e externa). Estrutura padrão: terapia individual semanal + grupo semanal, duração ~18 meses. Postura terapêutica: “não-sabendo” (não-mentalizar pra resolver, mas explorar mente do paciente), foco em momentos de quebra de mentalização. Evidência: ECR Bateman & Fonagy (2009, AJP) mostrou redução significativa de tentativa de suicídio, autolesão, hospitalização e uso de medicação vs cuidado estruturado em 18 meses, com manutenção em follow-up. Adaptações: MBT-A pra adolescentes; MBT-F pra famílias; MBT-AT pra TPB com abuso de substâncias. Disponibilidade no Brasil restrita a centros com formação específica.