Pós-tentativa (protocolo de retaguarda)
Em linguagem simples
O período imediatamente depois de uma tentativa de suicídio é um dos mais críticos da clínica — risco de nova tentativa é alto, especialmente nas primeiras semanas. Existem protocolos estruturados de retaguarda: plano de segurança elaborado em conjunto com o paciente, contato proativo nos primeiros dias após alta, remoção de acesso a meios letais, conexão garantida com tratamento ambulatorial em janelas curtas. Não é “vigilância” — é cuidado ativo que comprovadamente reduz reincidência.
Tecnicamente
Conjunto de intervenções com evidência crescente pra reduzir reincidência após tentativa de suicídio. Safety Planning Intervention (SPI) — Stanley & Brown (2012): intervenção breve estruturada em 6 passos elaborada com o paciente antes da alta hospitalar — sinais de alerta pessoais, estratégias internas de coping, contatos sociais distratores, profissionais e familiares pra acionar, restrição de acesso a meios letais. Replicações em diferentes contextos (atendimento de urgência, internação) mostram redução de tentativas subsequentes. CT-SP (Cognitive Therapy for Suicide Prevention) — Brown et al. (2005, JAMA): 10 sessões de TCC focada em padrões cognitivos suicidas; ECR demonstrou redução de tentativas subsequentes pela metade vs cuidado usual em 18 meses. Contato proativo pós-alta — chamadas, cartas ou mensagens nos primeiros dias após alta reduzem reincidência (Motto, Bostrom 2001). Restrição de meios — intervenção populacional com efeito robusto (limitar acesso a armas de fogo, medicação em casa, locais de queda). Implementação no Brasil é heterogênea — protocolo de retaguarda estruturado é prática em poucos serviços, embora as evidências sejam transferíveis e replicáveis.