TPB em homens
Em linguagem simples
TPB existe em homens na mesma frequência que em mulheres — mas eles costumam ser diagnosticados como outra coisa: transtorno antissocial, abuso de substância, “raiva mal controlada”. Os sintomas se manifestam um pouco diferente: mais impulsividade externa (gastos, sexo, dirigir perigoso, agressão), menos autolesão visível. Por causa desse viés clínico, muitos homens com TPB chegam ao tratamento certo só depois de anos circulando por outros diagnósticos.
Tecnicamente
Estudos epidemiológicos populacionais (Grant et al., 2008; NESARC) mostram prevalência de TPB em homens essencialmente equivalente à de mulheres (em torno de 5,9% lifetime sem diferença sexo-específica significativa), apesar de TPB ser tradicionalmente descrito como “transtorno feminino”. O desbalanço aparece em amostras clínicas, onde mulheres predominam — atribuído a (a) viés diagnóstico (homens com sintomas similares recebem mais frequentemente diagnóstico de transtorno antissocial ou narcisista), (b) padrão de busca de tratamento (mulheres buscam saúde mental mais cedo), © expressão sintomatológica (homens manifestam mais comportamento externalizante — agressividade, uso de substância, impulsividade dirigida a outros — e menos comportamento internalizante — autolesão dirigida a si). Implicação clínica: alta vigilância pra TPB em homens com padrão de relacionamentos tumultuados, raiva intensa, identidade instável e impulsividade autodestrutiva, mesmo na ausência de autolesão característica.