Behaviorismo radical
Em linguagem simples
A filosofia da ciência que sustenta a análise do comportamento. Diferente do que muita gente acha (e ensina mal nas faculdades), behaviorismo radical NÃO nega que pensamentos, sentimentos e emoções existem. Ele diz outra coisa: que pensamentos e sentimentos são comportamentos também — comportamentos privados, internos — e que precisam ser explicados pelas mesmas variáveis ambientais, não tratados como causas misteriosas que dispensam explicação.
Tecnicamente
Posição filosófica formulada por Skinner (1945 em diante; sistematizada em “About Behaviorism”, 1974) que sustenta a análise do comportamento. Tese central: eventos privados (pensamentos, sentimentos, sensações) são parte legítima do objeto da ciência do comportamento, distintos qualitativamente do comportamento público apenas pelo grau de acessibilidade observacional, não em natureza. Distingue-se de: (a) behaviorismo metodológico (Watson, neobehaviorismo) que exclui eventos privados como inacessíveis e portanto fora da ciência; (b) behaviorismo lógico (Ryle) que reduz eventos mentais a disposições comportamentais; © eliminativismo que nega ontologia mental. Posições derivadas: rejeição de explicações mentalistas (atribuir causa do comportamento a estado mental hipostasiado), sem rejeição de cognição como fenômeno. Implicação clínica: análise funcional inclui o comportamento privado do paciente — pensamento, emoção, sensação — como evento a ser entendido em suas contingências, não como inacessível ou ilusório.