Mentalismo (na psicologia)
Em linguagem simples
Erro lógico frequente em explicações psicológicas: explicar um comportamento dando nome a ele e tratando esse nome como causa. “Por que ela bate na mão?” — “Porque tem ansiedade.” Mas o que é ansiedade? “É o que faz ela bater na mão.” Circular. Não explica nada. A análise do comportamento exige que a explicação seja em termos das condições antecedentes, do contexto histórico e das consequências — não em termos de uma entidade interna hipostasiada.
Tecnicamente
Operação explicativa em que se invoca um estado mental hipostasiado como causa do comportamento sem articulação de variáveis ambientais ou históricas. Skinner (1974) identifica como vício explicativo dominante na psicologia — especialmente nas abordagens cognitivas tradicionais e na linguagem psiquiátrica leiga. Padrão típico: observa-se comportamento, nomeia-se um traço ou estado interno a partir do comportamento, e usa-se esse nome pra explicar o próprio comportamento. Exemplos: “ele bebe porque tem alcoolismo”, “ela é agressiva porque tem TPB”, “criança não para porque tem TDAH”. A circularidade não impede uso descritivo dos termos (TDAH como rótulo diagnóstico operacional é diferente de TDAH como causa explicativa). Posição da análise do comportamento: explicações causais relevantes estão nas contingências históricas (aprendizado prévio), nas condições antecedentes (gatilhos) e nas consequências (reforçadores). Não é negar realidade dos estados internos — é exigir que sejam explicados, não usados como explicação.