Bipolar vs TDAH (diagnóstico diferencial)
Em linguagem simples
Os dois quadros têm impulsividade, dificuldade de atenção em fases ruins e oscilação de humor — por isso a confusão. Diferenças centrais: TDAH é crônico desde a infância, com sintomas presentes praticamente todo dia, sem episódios discretos. Bipolar tem episódios definidos (mania ou hipomania durando dias ou semanas) intercalados com períodos sem sintomas. Pra dificultar: os dois coexistem com frequência (~10-20% em adultos com bipolar têm TDAH também). Tratamento exige diagnosticar os dois quando estão juntos — estimulante em bipolar instável pode disparar mania.
Tecnicamente
Diferenciação clínica frequentemente sub-diagnosticada nos dois sentidos. Eixos de distinção: (1) Cronicidade vs episódico — TDAH é trans-situacional e contínuo desde infância; bipolar tem episódios discretos com intervalos eutímicos. (2) Sono — TDAH tem atraso de fase e dificuldade em iniciar/manter sem alteração de necessidade; mania reduz necessidade de sono com aumento de energia. (3) Humor — em TDAH humor é reativo a contexto imediato; em mania humor é elevado/irritável independente de contexto. (4) Início — TDAH antes dos 12 anos por critério; bipolar tipicamente final da adolescência ou adultez jovem. Comorbidade (Klassen et al., 2010; Skirrow et al., 2012): coexistência frequente em adultos — TDAH presente em parcela significativa de pacientes com bipolar e vice-versa, especialmente bipolar tipo 2. Implicação prática: estimulantes (metilfenidato, anfetaminas) em bipolar não-estabilizado podem precipitar mania ou ciclagem rápida; uso em comorbidade exige estabilização prévia com lítio ou anticonvulsivante. Diagnosticar e tratar os dois quando coexistem melhora desfecho em ambos.