DSM-5 e CID-11 (manuais diagnósticos)
Em linguagem simples
Dois manuais diagnósticos usados no mundo todo. DSM-5 é da Associação Psiquiátrica Americana — manual mais usado em pesquisa e na clínica de saúde mental, organiza diagnósticos em categorias com critérios específicos. CID-11 é da Organização Mundial da Saúde, em vigor desde 2022, mais usada em sistemas públicos e estatística sanitária. Os dois cobrem essencialmente o mesmo terreno mas com algumas diferenças importantes — por exemplo, CID-11 mudou bastante a forma de classificar transtornos de personalidade.
Tecnicamente
Dois sistemas de classificação diagnóstica em coexistência. DSM-5 (APA, 2013, com atualização DSM-5-TR 2022): categorias com critérios operacionais explícitos; estrutura em capítulos por agrupamento clínico; dominante em pesquisa e em ensino de psiquiatria/psicologia. CID-11 (OMS, em vigor 2022 em sistemas membros): cobertura global, multilíngue; reforma significativa em transtornos de personalidade — abandonou tipologias categóricas (paranoide, esquizoide, borderline, etc.) e adotou modelo dimensional com cinco domínios de traços (afetividade negativa, desapego, dissociabilidade, desinibição, anancástico) + especificador “padrão borderline” mantido por demanda clínica. Diferenças notáveis: CID-11 inclui transtorno de estresse pós-traumático complexo (TEPT-C) como categoria distinta (importante pra diferencial com TPB); CID-11 reformulou transtornos do sono; DSM-5 mantém categorias mais granulares em transtornos de aprendizagem. Implicação prática: no Brasil, CID é obrigatória em sistema público (SUS) e em formulários de seguros; DSM-5 prevalece em ensino e pesquisa. Domínio dos dois sistemas é parte da formação clínica padrão.