Lítio

Em linguagem simples

O medicamento mais antigo e mais bem-estudado do tratamento bipolar. Desde a redescoberta clínica em 1949, lítio segue sendo considerado padrão-ouro pra prevenção de novos episódios em bipolar tipo 1. Tem uma propriedade rara entre psicofármacos: reduz risco de suicídio de forma documentada. Precisa acompanhamento médico rigoroso (exame de sangue periódico, atenção a função renal e tireoidiana), mas pra muita gente é o que faz a diferença entre uma vida em montanha-russa e uma vida estável.

Tecnicamente

Carbonato de lítio, redescoberto na psiquiatria por Cade (1949). Mecanismo de ação não completamente elucidado — atribuído à modulação de cascatas de sinalização intracelular (inibição de inositol monofosfatase e GSK-3β), com efeitos neuroprotetores e estabilizadores de circuitos do humor. Indicação principal: prevenção de novos episódios em transtorno bipolar tipo 1, com efeito robusto em mania (menor em depressão bipolar — daí frequente combinação com lamotrigina). Propriedade clinicamente única: redução documentada do risco de suicídio em meta-análises (Cipriani et al., 2013, BMJ) — efeito independente do efeito sobre humor. Manejo clínico: janela terapêutica estreita exige monitoramento de litemia (alvo terapêutico 0,6-0,8 mEq/L na manutenção, até 1,2 em fase aguda) e dos efeitos sobre função renal (TFG, microalbuminúria) e tireoidiana (TSH) — pelo menos 2x ao ano. Efeitos colaterais comuns: tremor fino, polidipsia/poliúria, ganho de peso, sedação, hipotireoidismo (10-20%). Toxicidade aguda (litemia > 1,5 mEq/L) é emergência médica. Apesar disso, perfil de evidência sustenta lítio como primeira linha em manutenção de bipolar tipo 1 segundo diretrizes internacionais (CANMAT/ISBD).