Multifamiliar DBT vs terapia familiar tradicional
Em linguagem simples
São abordagens diferentes que muita gente confunde. Terapia familiar tradicional trabalha a dinâmica entre membros — quem fala com quem, quais coalizões, padrões de comunicação, ciclos repetidos. Tem um terapeuta sentado com a família real, focando na dinâmica única daquela família. Multifamiliar DBT é grupo psicoeducacional: várias famílias juntas aprendendo habilidades concretas (validação, mindfulness, limites). Estruturada, com manual, foco em ensinar e praticar — não em explorar dinâmica única.
Tecnicamente
Distinção operacional importante na indicação clínica. Terapia familiar sistêmica/estrutural (Minuchin, Bowen, Haley, Selvini-Palazzoli) — formato com a família única em sessão regular com terapeuta sistêmico; foco em padrões interacionais, hierarquias, coalizões, ciclos repetitivos; evidência forte em transtornos alimentares pediátricos (FBT), problemas comportamentais na infância, conflito conjugal (Carr, 2014). Multifamiliar DBT — formato em grupo com múltiplas famílias, manual estruturado, foco em ensino e prática de habilidades DBT adaptadas ao contexto familiar; evidência específica em TPB e desregulação grave; mecanismos terapêuticos incluem aprendizado vicário entre famílias, normalização (reduzir vergonha) e treino concreto. Complementares, não substitutos: famílias com dinâmica disfuncional grave podem se beneficiar de terapia familiar prévia ou paralela; famílias que precisam ferramentas concretas pra desregulação se beneficiam mais de multifamiliar. Indicação combinada (terapia familiar individual + multifamiliar em grupo) é comum em casos complexos.