Sinais de tendência suicida
Em linguagem simples
Tem dois tipos de sinal que importam: os fatores de risco (coisas que aumentam a probabilidade ao longo do tempo — tentativa anterior, transtorno mental, isolamento, evento estressor recente, acesso a meio letal) e os sinais de alerta agudo (mudanças observáveis na semana ou no dia — falar em querer morrer, organizar pertences, despedidas, mudança brusca de humor pra calma após período de crise). Os sinais agudos pedem ação imediata: conversa direta, remoção de acesso a meios, profissional de saúde mental.
Tecnicamente
Distinção operacional importante entre fatores de risco crônicos (preditores estatísticos populacionais — tentativa prévia, transtorno mental ativo, ideação ativa com plano, uso de substâncias, gênero masculino com idade avançada, isolamento social, acesso a meio letal, dor crônica, perda recente) e sinais de alerta agudos (Rudd et al., 2006) — manifestações observáveis em janela temporal próxima que justificam intervenção imediata. Tier 1 de Rudd (justifica encaminhamento emergencial): ameaça/expressão direta de querer se machucar ou morrer, busca de meios, escrever ou falar sobre suicídio. Tier 2 (justifica avaliação clínica urgente): desesperança, raiva ou vingança, agir imprudentemente, sentir-se preso, abuso aumentado de substância, retraimento social, ansiedade severa, mudanças bruscas no humor (especialmente calma súbita após período de crise — pode indicar decisão tomada), ausência de motivo pra viver. Modelo interpessoal de Joiner (2005) articula três fatores como necessários: percepção de fardo a outros, frustração no senso de pertencimento, capacidade adquirida pra autolesão (habituação à dor e ao medo da morte). Avaliação clínica estruturada via C-SSRS ou similar é padrão.