Como conversar com quem pensa em suicídio
Em linguagem simples
Perguntar não planta a ideia — esse é o mito mais persistente e mais perigoso. Falar abertamente sobre suicídio com quem está em sofrimento abre espaço pra ajuda; evitar o assunto isola ainda mais. O essencial: pergunte direto (“você está pensando em se machucar?”), escute sem corrigir e sem moralizar, valide o sofrimento sem validar o plano, ajude a remover acesso ao meio (medicação, arma, altura), conecte com um profissional. Não prometa segredo. Não fique sozinho com a responsabilidade.
Tecnicamente
Princípios derivados de pesquisa em prevenção do suicídio (Joiner, 2010) e de práticas clínicas em DBT (Linehan, 2015). (1) Perguntar diretamente sobre ideação não aumenta risco — meta-análises confirmam consistentemente; evitar o tema, por outro lado, isola e atrasa intervenção. (2) Validar a dor, não o plano — reconhecer explicitamente que a dor é real (“faz sentido você estar sofrendo tanto”) sem ratificar o suicídio como solução. (3) Avaliar três dimensões — ideação (frequência, intensidade), planejamento (especificidade, acesso a meio), proteção (motivos pra viver, vínculos). (4) Remover acesso a meios letais — meios-restrição é a intervenção populacional com maior evidência de redução de mortalidade. (5) Não prometer confidencialidade absoluta — esclarecer no início de conversas clínicas que risco grave envolve quebra de sigilo para proteção. (6) Conectar a recurso — profissional, CVV (188), serviço de emergência conforme gravidade. (7) Não carregar sozinho — quem ajuda também precisa de retaguarda profissional.