Antipsicóticos atípicos (segunda geração)

Em linguagem simples

Classe de medicamentos desenvolvidos a partir dos anos 1990 que se tornou central no tratamento de bipolar, mesmo o nome original sugerindo uso só em psicose. Olanzapina, quetiapina, risperidona, aripiprazol, lurasidona e outros são usados em mania aguda, depressão bipolar (alguns), prevenção de recaída, e em combinação com estabilizadores clássicos. Comparados aos antipsicóticos antigos (haloperidol, clorpromazina), causam menos sintomas motores mas têm mais efeitos metabólicos (ganho de peso, alterações de glicose e lípides) — exigem acompanhamento periódico.

Tecnicamente

Classe farmacológica heterogênea de antagonistas da dopamina D2 e da serotonina 5-HT2A (perfil “atípico” — daí o nome) desenvolvida a partir da clozapina (anos 1970, redescoberta nos 1990). Indicação tradicional: esquizofrenia e transtornos psicóticos. Em transtorno bipolar (Yatham et al., 2018, CANMAT/ISBD): primeira linha em mania aguda (olanzapina, risperidona, quetiapina, aripiprazol, asenapina, cariprazina); primeira linha em depressão bipolar (quetiapina, lurasidona, cariprazina); papel relevante em manutenção (olanzapina, quetiapina, aripiprazol, ziprasidona). Diferenças clínicas relevantes entre agentes (Leucht et al., 2013): clozapina tem maior eficácia em refratariedade mas restrita por agranulocitose; olanzapina tem maior efeito em mania mas perfil metabólico desfavorável; lurasidona e cariprazina têm perfil metabólico favorável. Manejo: monitoramento de peso, glicose, perfil lipídico, prolactina, exame motor (DCD, parkinsonismo, acatisia) a cada 3-6 meses. Combinação com lítio/estabilizadores anticonvulsivantes é frequente em casos de refratariedade.