Ciclotimia

Em linguagem simples

Forma “atenuada” do espectro bipolar. A pessoa oscila entre períodos de humor mais alto (parecido com hipomania, mas mais leve) e períodos de humor mais baixo (parecido com depressão, mas mais leve), de forma persistente por pelo menos dois anos. Nunca chega a episódio completo de mania nem de depressão maior, mas o vai-e-vem constante prejudica relações, trabalho e bem-estar. Muita gente vive anos com ciclotimia sem diagnóstico, achando que é “ser temperamental” ou “instável”.

Tecnicamente

Categoria diagnóstica do DSM-5 dentro dos transtornos bipolares e relacionados. Critérios: presença, por pelo menos dois anos (um ano em crianças/adolescentes), de períodos com sintomas hipomaníacos que não preenchem critérios completos de hipomania, alternados com períodos com sintomas depressivos que não preenchem critérios completos de depressão maior; pelo menos metade do tempo com sintomas; sem período sem sintomas maior que dois meses consecutivos. Distinção do espectro bipolar: nunca preencheu critérios completos pra mania, hipomania ou depressão maior. Importância clínica (Van Meter et al., 2012): (a) ciclotimia tem alto risco de progressão pra bipolar tipo 1 ou tipo 2 ao longo da vida (estimativas em torno de 30-50%); (b) frequentemente confundida com TPB (oscilação rápida do humor presente em ambos) — diferencial requer atenção a gatilhos interpessoais (presentes em TPB, menos em ciclotimia) e à estabilidade de identidade; © tratamento de primeira linha similar ao do bipolar — estabilizadores de humor + psicoterapia (CANMAT). Subdiagnosticada e subtratada na prática clínica geral.